Longas distâncias

Longas distâncias

Serra da Estrela, Portugal

Sempre gostei de esportes, mas corridas eram minha fraqueza. Nunca gostei de correr, não tinha costume. Achava que não seria capaz de percorrer um determinado percurso.  Mas o que isto tem a ver com viagens de moto de longa distância??

Em certas situações impomos a nós mesmos supostos limites na crença de que não somos capazes de superá-los. Foi o que aconteceu comigo com a corrida. Quando fiz um percurso maior pela primeira vez não tive nenhum problema. Descobri que era uma barreira psicológica e não física, já que o trecho que me propus a correr  estava dentro de níveis razoáveis, normais, medianos.

Em viagens de longas  distâncias com certeza  isso acontece com alguns. Em princípio intimida a ideia de ficar quatro, cinco horas rodando de moto num dia, mas depois que completa o trajeto descobre que não era nada de anormal, principalmente quando se intercalam algumas paradas.

Certa vez estava com amigos e foi sugerido um bate-volta para uma determinada cidade do Estado de São Paulo. Um deles não gostou. Dizia que era um exagero aquela distância. Naquele impasse, puxei ele de canto e me comprometi a fazer o ritmo dele, caso ele achasse necessário. “Sérgio, só levantar a mão com punho fechado, eu paro com você”. No final ele foi, voltou e ainda me disse estar envergonhado de achar que 600 km num dia era muito. Foi exatamente o que aconteceu comigo antes de correr, me dei por incapaz de conseguir fazer uma coisa normal. Só depois que fiz que vi que não tinha nada de difícil.

Quando se percorre longas distâncias é importante não ter pressa para chegar e manter a atenção. Num trajeto com belos cenários o tempo que se pára aproveitando o visual, tirando fotos, etc, são oportunidades para esticar as pernas e descansar. As paradas para abastecimento, que são várias, é o momento de ir ao banheiro e dar uma relaxada.

Tenho uma regra que sigo, principalmente nas viagens no Brasil, que batizei como “Regra do Meio” que nada mais é senão nunca rodar com menos de meio tanque. O indicador bate no meio, eu paro no primeiro posto. Em alguns lugares Brasil afora (e América do Sul) os postos podem ser raros, por isso adotei esta regra.

Dependendo da autonomia da moto isso pode corresponder a cerca de hora ou hora e meia de viagem, ou seja, as paradas não superam esse tempo.

Um outro lado desse assunto que não se pode deixar de entender é que algumas distâncias médias podem levar longos períodos, tudo depende do tipo de estrada. Mesmo sendo pavimentado, se o trecho for muito sinuoso, o que se faria em uma hora numa Auto-Estrada pode-se levar duas ou mais em estradas secundárias. Mas aí que mora a beleza! Enquanto nas Auto-Estradas a única coisa que se vê é asfalto e placas, nas secundárias é que estão as paisagens, o visual, o incomum, enfim, o propósito da viagem. Nas Auto-Estradas talvez a gente se canse menos, mas, com certeza, um certo tédio cedo ou tarde aparece.

Sempre falo que o vestuário é equipamento de uso pessoal e, por isso mesmo, cada um deve saber o que é bom para si. Uns não gostam de roupas que limitem um mínimo dos movimentos, preferem roupas largas. Outros são mais friorentos ou calorentos, então me abstenho de falar sobre qual acho melhor ou pior.

O importante é nunca esquecer da segurança e ter consciência de que no percurso pode chover, fazer frio, calor. Com base nessas infos deve-se decidir o que usar/levar de acordo com o gosto de cada um.

Mas há aqueles que ainda não têm total conhecimento do que há disponível no mercado. Aí sim uma ajuda é necessária e terei muito prazer em colaborar.

A programação é sempre necessária e faz com que a viagem seja mais segura. Postos de combustível, cálculo do tempo de viagem e horário de saída para evitar rodar à noite, são muito importantes. Taí uma coisa que evito a todo custo. Paro onde for, mas não viajo à noite. Viajar à noite é altamente não recomendável, principalmente em longos deslocamentos. Havendo programação e cálculos mínimos, evita-se isto facilmente.

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